quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Arcade Fire em documentário

"The Reflektor Tapes" é um documentário sobre os Arcade Fire, uma das mais interessantes bandas pop-rock dos últimos anos. O filme é realizado por Kahlil Joseph. Vai estrear no final de Setembro nas salas. Uma boa notícia para os fãs da banda. 
Eis o trailer:

terça-feira, 1 de setembro de 2015

"Os Médicos da Morte"

Hoje assinalam-se 76 anos do início da Segunda Guerra Mundial. Este é um período da história contemporânea que me interessa bastante e há dias comprei um livro (comecei a ler) fascinante que aborda os chamados "Médicos da Morte" do regime nazi. 70 anos após do fim deste terrível acontecimento bélico, este livro é um impressionante documento de 816 páginas consagrado aos horrores da medicina nazi perpetrados durante os 12 anos de vigência do terceiro Reich de Hitler. Do contexto social e ideológico que permitiu corromper em absoluto o papel do médico, aos responsáveis no terreno pelos actos mais hediondos, esta é uma obra baseada em testemunhos de sobreviventes, confissões de médicos SS e em milhares de documentos que os nazis não conseguiram destruir antes da derrota final. 

Milhares de crianças, deficientes, homossexuais, ciganos, judeus e até alemães dissidentes, prisioneiros de uma ideologia que os renegava da própria condição humana, foram alvo de atrozes experiências médicas com o objectivo aniquilar as raças inferiores ou ajudar no esforço de guerra. Foi o apogeu da crueldade do Terceiro Reich, um delírio científico que choca e repugna. E que deve ser lido para nunca ser esquecido. Os médicos nazis tinham rédea solta para fazer as experiências que quisessem nos campos de concentração. Incineraram, castraram, congelaram, sufocaram homens, mulheres e crianças sem misericórdia. Retiravam órgãos e membros, transfundiam sangue de uns para outros em experiências macabras... este livro prova quão monstruoso pode ser o ser humano.

Um projecto de vanguarda



Tal como o nome sugere, "Avant Garde Project" é um projecto de divulgação da música vanguardista do século XX. Por música de vanguarda entende-se todas as formas e expressões estéticas que romperam convenções e inovaram nas linguagens musicais contemporâneas: electro-acústica, experimental, concreta, minimalismo, electrónica, free-style, etc.
A maior parte das gravações disponíveis não têm edições em CD, pelo que as obras musicais foram directamente convertidas de vinil para mp3. Os downloads são gratuitos e ilimitados. O grande contributo de "Avang Garde Project" é que permite conhecer e ter acesso a centenas de raras composições de vanguarda da música erudita contemporânea, de compositores conhecidos como Bruno Maderna, Stockhausen, John Cage, Luciano Berio, Mauricio Kagel, Toru Takemitsu, Harry Partch e muitos outros desconhecidos.
Um verdadeiro tesouro musical a descobrir. Link.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O poder da música

"A música pode livrar-nos da depressão, é um remédio, um tónico, é 'sumo de laranja' para os ouvidos. Para muitos dos meus pacientes neurológicos, a música é ainda mais outra coisa: ela tem o poder que nenhuma medicação tem para o falar, para o movimento, para a vida. Para esses pacientes, a música não é um luxo, é uma necessidade."

Oliver Sacks (1933 - 2015)

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O leitor compulsivo

Todos os que gostam de ler e de livros vão adorar este artigo de opinião. É especialmente pensado para os "leitores compulsivos". Em 10 mandamentos, reúnem-se 10 características dos leitores compulsivos. Eu gosto muito de ler, mas não me revi em dois dos mandamentos. Seja como for, para quem ama a leitura há muita verdade neste compêndio de mandamentos. Para ler, abrir aqui.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O que diz Tarkovski #22

"O cinema é um mistério. É um mistério para o próprio realizador. O resultado, o filme acabado, deve ser sempre um mistério para o realizador, caso contrário não seria interessante."


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A Fnac de Barcelona

É assim a secção de livros de arte (sobretudo cinema e música) na Fnac de Barcelona. E a objectiva da câmara não conseguiu captar a prateleira que falta (clicar na imagem para aumentar).

domingo, 23 de agosto de 2015

Entrevistas a Buñuel e Cave

Em Espanha existe um mercado livreiro muito mais vasto do que em Portugal. Basta visitar uma livraria especializada ou uma FNAC. Em Barcelona entrei na FNAC da Praça Catalunha e fiquei deslumbrado com a quantidade, diversidade e qualidade dos livros editados. A secção de livros de cinema e música ocupam no mínimo dois armários inteiros do chão ao tecto. Muitas edições são estrangeiras, mas muitas outras são de escritores espanhóis sobre os mais diferentes temas. 

Há também muitas traduções de livros editados nos EUA e em Inglaterra. Perante tanta oferta é difícil escolher (até porque os preços também não são propriamente convidativos). No final acabei por comprar estes dois livros, curiosamente de entrevistas a dois ídolos meus: o músico Nick Cave e o realizador Luis Buñuel. São duas edições preciosas porque o leitor é confrontado com as opiniões dos artistas na primeira pessoa. As entrevistas a Buñuel são particularmente interessantes porque o cineasta espanhol explica a sua visão e interpretação dos seus filmes mais importantes. O mesmo faz Nick Cave em relação à sua música (e não só) em 30 anos de "conversas sinistras".

Saí da FNAC espanhola com a clara frustração que deixava dezenas de outros bons livros para trás...
Era assim que deveria ser o mercado livreiro em Portugal.


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

GIF de cinema

Se querem conhecer o melhor gif de cinema que já vi, abram este link. Tem a ver com Hitchcock.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Sobre "Solaris"

Eis um interessante ensaio em vídeo de 5 minutos sobre "Solaris" (1972) de Andrei Tarkovski. Para compreender melhor a visão artística e filosófica do realizador russo sobre a ciência, a ficção, e a existência humana na Terra. 

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

"Star Wars" no cinema mudo

Imaginem como seria a saga "Star Wars" se tivesse sido realizada na mesma época do "Nosferatu" (1922) de F.W. Murnau ou "Metropolis" (1927) de Fritz Lang. Ou seja, em pleno apogeu do cinema mudo.
Seria qualquer coisa como isto:

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O realismo de Gallo

Revi o magnífico filme "Essential Killing" (2011) de Jerzy Skolimowski e voltei a sentir incómodo nesta incrível sequência (real e não encenada): Mohammed (espantoso Vincent Gallo) é um fugitivo esfomeado. De tal forma que, quando se depara com uma mulher com um bebé ao colo, percebe que amamenta e, desesperado, suga à força do peito da mulher o leite materno.
É uma cena que causa grande impacto, mais a mais por se saber que não foi encenada: Vincent Gallo, adepto do mais duro realismo, fez questão de beber mesmo o leite do peito de uma verdadeira mãe que amamentava um bebé.





















sábado, 1 de agosto de 2015

Pausa

Vou finalmente gozar férias. E gozar férias é também fazer uma pausa em actividades que nos preenchem o resto do ano, como escrever neste blog. Não quer dizer que Agosto não publique algum post, mas só se se justificar. Necessito de descanso e de refrescar ideias. Reforço a ideia que não é um fim, apenas uma pausa temporária.

Boas férias aos leitores.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

100 melhores filmes norte-americanos

 A BBC pediu a 62 críticos de cinema internacionais para escolherem os 100 melhores filmes norte-americanos de sempre. Listas são listas, sempre subjectivas e alvo de discussão. Como é habitual, "Citizen Kane" está em primeiro lugar, no entanto, a lista traz algumas surpresas como a inclusão dos dois primeiros filmes "O Padrinho" no top 10. 
Mas para ler a análise completa e verificar a lista dos 100 filmes, carregar aqui.

10. O Padrinho: Parte II (Francis Ford Coppola, 1974)
9. Casablanca (Michael Curtiz, 1942)
8. Psico (Alfred Hitchcock, 1960)
7. Serenata à Chuva (Stanley Donen e Gene Kelly, 1952)
6. Aurora (F. W. Murnau, 1927)
5. A Desaparecida (John Ford, 1956)
4. 2001 – Odisseia no Espaço (Stanley Kubrick, 1968)
3. Vertigo – A Mulher que Viveu Duas Vezes (Alfred Hitchcock, 1958)
2. O Padrinho (Francis Ford Coppola, 1972)
1. Citizen Kane – O Mundo a Seus Pés (Orson Welles, 1941)

terça-feira, 28 de julho de 2015

Documentário: a vez de Brando

E eis que um dos maiores actores de sempre de Hollywood tem direito a um documentário: Marlon Brando. E não é um documentário construído de forma convencional, com depoimentos e entrevistas. Ao longo da sua atribulada vida o actor de "O Padrinho" foi gravando os seus pensamentos no que resultou em mais de 300 horas de gravações. 
O que o realizador Stevan Riley fez foi um trabalho colossal de montagem para reduzir as 300 horas a apenas 1h45. Ou seja, durante todo o filme apenas ouvimos a voz do próprio Brando a falar de mil e uma coisas da sua vida pessoal e artística com imagens de aruivo. Com certeza um dispositivo narrativo original nos documentários modernos.
Chama-se "Listen to Me Marlon".

segunda-feira, 27 de julho de 2015

A modernidade segundo Tati


Numa entrevista à revista Time em 1958 - data da estreia do filme "O Meu Tio" (na imagem) -, o realizador Jacques Tati disse isto sobre o paradoxo da modernidade: 

"Vejam o que nos está a acontecer - esta especialização. A despersonalização está a tirar todo o significado humano à nossa vida quotidiana. Um homem costumava orgulhar-se da forma como conduzia. Agora um carro guia-se sozinho. Uma mãe costumava orgulhar-se dos seus bolos. Agora eles fazem-se sozinhos. Um rapaz costumava orgulhar-se das coisas que inventava para brincar. Agora está soterrado em brinquedos feitos em fábricas. É triste , não é?" 

Estávamos em 1958 e, nessa altura, a sociedade de consumo de cariz tecnológica era um fenómeno cada vez mais crescente e real. Porém, passados mais de 50 anos, Tati continua a ter (cada vez mais) razão na sua feroz crítica ao excesso de tecnologia e de automatização na vida contemporânea. O que ele criticava através do humor era, no fundo, as profundas mudanças de hábitos sociais dos anos 50 condicionados pela pretensa modernidade da mecanização da sociedade de consumo e de massas - desde o tráfego automóvel, o comércio, os hábitos sociais moldados pela tecnologia, a hiper-industrialização do emprego, os pequenos utensílios tecnológicos domésticos, a arquitectura modernista das casas e das grandes cidades, etc. Tudo isto condicionou o modelo de vida social contemporânea e dinâmica das relações humanas, as quais sempre foram mais genuínas e espontâneas na sociedade pré-tecnológica.

O que me suscita uma questão pertinente: à luz dos tempos modernos e da tecnologia digital avassaladora actual, que filme seria "O Meu Tio" - ou "Playtime" - se Jacques Tati o realizasse hoje?

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Sobre os palhaços de Woody Allen

No site de cinema À Pala de Walsh existe uma rubrica intitulada "Na Presença dos Palhaços" - reflexão sobre cineastas e e autores do universo cómico do cinema. Fui convidado pelos autores do site e resolvi escrever sobre Woody Allen
Eis o link para ler.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Dalí e a sua musa

É preciso ler este texto para compreender a devoção que o pintor Salvador Dalí tinha pela sua musa e amante Gala. Só de uma mente delirante e criativa como a de Dalí para escrever isto:

"I name my wife: Gala, Galushka, Gradiva; Oliva, for the oval shape of her face and the colour of her skin; Oliveta, diminutive for Olive; and its delirious derivatives Oliueta, Oriueta, Buribeta, Buriueteta, Suliueta, Solibubuleta, Oliburibuleta, Ciueta, Liueta. I also call her Lionette, because when she gets angry she roars like the Metro-Goldwyn-Mayer lion"
Salvador Dali


segunda-feira, 20 de julho de 2015

A arte de Hanuka

Tomer Hanuka é um artista e ilustrador israelita que faz trabalhos gráficos para várias revistas e  organizações. Tem uma vertente do seu trabalho que aborda filmes, nomeadamente ilustrações a partir de filmes de Stanley Kubrick, Terrence Malick e Alfred Hitchcock.
Link para o site oficial.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

A cabeça de Murnau

F.W. Murnau foi um dos maiores realizadores do cinema mudo e do Expressionismo Alemão. Morreu em 1931 com apenas 42 anos num trágico acidente de viação. O autor do mítico filme de terror "Nosferatu" (1922) está sepultado na Alemanha e nos anos 70 a sua campa foi alvo de vandalismo. Mas nada comparável com o que aconteceu agora: alguém se deu ao trabalho de desenterrar o caixão para... roubar a cabeça do realizador! Este crime macabro de profanação de cadáver está a ser investigado pelas autoridades, as quais ainda não conseguiram chegar a nenhuma conclusão sobre quem terá cometido este acto e porquê.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Kalatozov

E de repente Mikhail Kalatozov tornou-se num dos meus cineastas preferidos. Pelo menos um dos cineastas russos preferidos. Isto porque depois de ter visto duas obras-primas - "Quando Passam as Cegonhas" (1957) e "Soy Cuba" (1964) vi o filme de permeio "Letter Never Sent" (1960). O estilo de realização de Kalatozov é único na forma como cria movimentos de câmara, ângulos e planos. A fotografia a preto e branco é sempre soberba e de uma intensidade tocante.

A história de "Letter Never Sent" que vi ontem resume-se a quatro exploradores geólogos (3 homens e uma mulher) que se aventuram na Sibéria à procura de diamantes. E o filme resulta numa apaixonante e tempestuosa relação entre os homens e as forças hostis da natureza, numa aventura de sobrevivência que vai ao limite da resistência humana. Kalatozov é prodigioso na forma como filma longos planos sequência no meio da natureza mais agreste, num trabalho de fotografia deveras deslumbrante. Veja-se esta magnífica sequência inicial do filme.
Um filme espantoso, portanto.

Trailer: