sexta-feira, 22 de maio de 2015

Para conhecer 'Unknown Pleasures'

Ainda a propósito dos 35 anos da morte de Ian Curtis (Joy Division), eis uma interessante lista do New Musical Express sobre "20 Coisas Que Não Sabia Acerca do Álbum Unknown Pleasures". 
Aqui.


segunda-feira, 18 de maio de 2015

35 anos sem Ian Curtis

Lembro-me como se fosse hoje: o bloco de gelo que se abateu sobre mim com a audição de “Unknown Pleasures”. A minha formação de ouvinte tivera vários estágios, mas nada me tinha preparado para o embate que foi a audição do primeiro disco dos Joy Division. Quando somos adolescentes julgamos que temos o tempo todo do mundo para desfrutar das grandes descobertas musicais. E, na verdade, eu tinha esse tempo todo. Viver em casa dos pais, fechado num quarto hermético, com centenas de discos, cassetes, livros e posters, era mundo suficiente para mim. Claro, a vida de estudante também se fazia, suportada à custa de muita condescendência e resignação.

Daí que, com 15 ou 16 anos, ouvir música significava um refúgio tão revigorante e enérgico como julgo já não existir hoje. Representava marcar um território delimitado à base da militância severa do prazer estético partilhado com um círculo restrito de amigos. A descoberta da figura de Ian Curtis, mais do que a de Jim Morrisson, Iggy Pop, Lou Reed, David Bowie ou Peter Murphy, foi uma descoberta quase de cariz religiosa. Lia aqueles artigos incensados e devotos do Miguel Esteves Cardoso sobre a intensa e criativa movida de Manchester e fiquei, automaticamente, siderado. Ansioso por conhecer tudo numa era em que Internet nem figurava nos livros de ficção científica.

Porém, a devoção pelo prazer da descoberta levou-me a mover mundos e fundos até conseguir pôr os ouvidos na música de Ian Curtis. Primeiro com a banda Warsaw, ainda reminiscente da fúria punk; depois, sim, com a era estilizada, superlativamente estética, de “Unknown Pleasures” e, postumamente à morte de Curtis, com o legado “Closer”. Para um adolescente como eu, de temperamento algo sorumbático e reflexivo, a música dos Joy Division revelou-se como a suprema bênção identitária. Nenhuma outra música, nenhumas outras letras, nenhum outro disco se poderia colar melhor à minha alma do que aqueles discos. A poesia (porque de poesia se trata) de Ian Curtis resultava numa espécie de elegia sobre a presença terrena desta vida.

E tocava-me nas mais profundas das vísceras (porque a poesia não toca apenas na alma). Via Curtis como um criador ambicioso mas permanentemente insatisfeito, um angustiado feliz que tentava libertar os seus demónios interiores. Gostava das preocupações existenciais de Ian, devedoras das suas leituras de Kerouac, Burroughs, Ballard ou Camus. Cantava o sonho e o pesadelo, o amor e a morte, o desejo de existir e o medo de existir. Comprei um livro com as letras das canções, e li-as uma e outra vez, até sugar toda a essência daquelas palavras (decorava, na íntegra, algumas letras). E ouvia repetidamente, obsessivamente, algumas das canções. A agulha do gira-discos pousava, uma e outra vez, nas mesmas faixas dos vinis: “Isolation”, “Passover”, “Heart and Soul”, “A Means to na End”, “Disorder”, “Shadowplay”, etc.


E foi “Closer”, mais do que “Unknown Pleasures”, a deixar-me incondicionalmente devoto dos Joy Division. Tamanha devoção deveu-se, igualmente, à icónica arte gráfica de Peter Saville expressa na capa e no design, na produção inovadora de Martin Hannett, que concebeu aquela sonoridade única do disco, com a voz intensa e enxuta de Curtis, a bateria marcial de Stephen Morris, o baixo-tocado-como-uma-guitarra de Peter Hook, e a guitarra assanhada de Bernard Summer. Só mais tarde conheceria os tema-hinos, “Atmosphere” e “Love Will Tear us Apart”.

Ian Curtis só podia ter-se transformado em mártir do rock. Não havia outra solução. Como dizia Albert Camus, o suicídio é o único problema filosófico importante – saber se a vida merece ou não ser vivida. Curtis viveu intensamente e sempre no fio da navalha das emoções. O seu derradeiro acto foi o consumar de um fogo que tinha dentro de si. Lembro-me de que, no dia 18 de Maio de cada ano, sentia uma espécie de respeito e reverência espiritual para com a alma dos Joy Division. Era um dia especial.

E lembro-me de comemorar, com um amigo, os dez anos desse dia fatídico (Maio de 1990). Agora assinalam-se já 35 anos e a intensidade passional continua viva, ainda que algo indolente pela natural passagem do tempo. E os sonhos continuam vívidos, imersos numa realidade ainda por revelar, como se expressa na canção “Dead Souls”: “Someone Take These Dreams Away / That Point me To Another Day / A Duel of Personalities / That Strech all True Realities”.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Gaspar Noe volta a provocar

Não, não se trata de dois posters de um filme pornográfico de série B.
São os posters explícitos de um filme sério de um realizador que já nos habituou à provocação: Gaspar Noe (com o célebre filme "Irreversível"). De singelo título "Love" este novo filme de Noe vai estrear no festival de Cannes e narra a relação de um trio amoroso entre um homem e duas mulheres (uma das quais menor de idade). Ainda por cima vai ser exibido em 3D. Ou seja, o sexo explícito cada vez mais a entrar no sistema industrial mainstream do cinema.

Um filme sobre amor e sexo que promete fazer corar de vergonha o próprio Lars von Trier e o seu díptico "Nymphomaniac". 

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Da comédia ao filme épico histórico

Imagine que o caro leitor nunca viu o filme "Monty Python e o Cálide Sagrado" (Monty Python and The Holy Grail) dos Monty Python. Se vir este trailer vai achar que se trata de um épico histórico de grande produção de Hollywood (ao jeito de "Gladiador", por exemplo). Porém, como se sabe, nada mais errado: trata-se de uma remontagem do clássico de comédia anárquica da trupe de humoristas britânicos. 
Com uma montagem cuidada e o recurso a música épica o trailer transforma "Monty Python e o Cálice Sagrado" num autêntico e grandioso blockbuster de acção medieval. 
Ora veja:

segunda-feira, 11 de maio de 2015

A música de "Mad Max"

Parece que o filme "Mad Max: Fury Road" é um blockbuster de tal qualidade que já há quem lhe chame "obra-prima" (num delírio visual que mistura Alejandro Jodorowsky e Terry Gilliam!). Enquanto o filme não estreia esta semana na Europa podemos escutar a banda sonora (pelo menos o tema principal do filme) da autoria de Junkie XL
Junkie XL foi em meados dos anos 90 um músico de electrónica/big beat que veio a especializar-se em bandas sonoras para cinema, videojogos e publicidade. 
Aos 47 anos assina a banda sonora do regresso esperado de "Mad Max". Musicalmente trata-se de um tema bastante eloquente e grandioso com uma possante matriz rítmica pós-industrial (como de resto o próprio filme pede).

Ouçam:
 

domingo, 10 de maio de 2015

Berlim, 70 anos depois


Por estes dias assinalam-se os 70 anos do fim da 2ª Guerra Mundial, o maior conflito da história da Humanidade. Em Maio de 1945 os fotógrafos (amadores e profissionais) registavam os últimos combates selvagens na batalha por Berlim. O  exército russo lutava contra os nazis nos últimos dias de resistência dos alemães. A destruição estava espalhada por toda a capital alemã. Nada escapou à violência: ruas, monumentos e edifícios. 
Graças à perícia de fotógrafos actuais foi possível fazer a comparação visual entre o antes e o depois da destruição de Berlim (ou seja, os locais actuais da cidade que foram palco das batalhas). 

Mais fotografias aqui. 


O mesmo princípio para Paris mas com as fotografias originais inseridas na realidade contemporânea. Link.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

"Força Maior" - A força do instinto

Para fugir à pressão do dia-a-dia, Tomas e Ebba vão passar uns dias de férias com os dois filhos numa estância de esqui nos Alpes franceses. Tudo lhes parece perfeito até serem surpreendidos por uma avalancha. No momento em que ela, em pânico, tenta proteger as crianças a qualquer custo, repara que Tomas fugiu para se salvar. Profundamente desiludida com a reacção cobarde do marido, e considerando que proteger a família devia ser algo instintivo, Ebba sente-se incapaz de perdoar aquela atitude. Este incidente, de grande significado, vai corroer os laços entre cada um deles, alterando para sempre a dinâmica da família…

"Força Maior" (estreia esta semana) é assim um filme que reflecte sobre a essência da família nuclear e sobre a natureza dos instintos que condicionam (e minam) as relações humanas. E é também, a meu ver, um filme profundamente ancorado na estética do cineasta Michael Haneke - pela forma como está filmado, pelo timing dos planos e pela astúcia no modo de ir ao âmago das emoções humanas mais primárias. Altamente recomendável, portanto.


terça-feira, 5 de maio de 2015

Kubrick com música ao vivo

Quem vive em Lisboa e ama o cinema e a música não pode perder este espectáculo: exibição do clássico "2001 - Odisseia no Espaço" de Stanley Kubrick com música de orquestra e coro ao vivo. Será uma oportunidade única de poder ver um dos maiores filmes de ficção científica jamais feitos com a imponente música ao vivo de Richard Strauss, Johann Strauss e Ligeti.
Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, quinta e sexta-feiras. Será certamente uma experiência total.

 Im-per-dí-vel.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Uma história do punk em Portugal

"As Palavras do Punk"  de Augusto Santos Silva e Paula Guerra (Alêtheia Editores)

Da nota de imprensa:

"O punk chegou a Portugal relativamente cedo. Entre os últimos anos da década de 1970 e os primeiros da década de 80, formou-se uma primeira cena nacional do punk. Que ela perdura até à atualidade, mostram-no as três centenas de bandas em atividade que se lhe referem, direta ou indiretamente. Este livro aborda a cena a partir dos discursos que gera sobre o país e o papel nele do punk. Fá-lo a partir de entrevistas realizadas a 214 protagonistas e da análise de conteúdo dos nomes das bandas, das letras de canções, das capas de discos, dos fanzines ou dos videoclips. Propõe assim uma interpretação sociológica do desenvolvimento do punk em Portugal que se combina e enriquece com as reflexões dos músicos, promotores, fãs e outros agentes da cena."

O livro é apresentado esta segunda-feira no Porto às 18h (no Palacete dos Viscondes de Balsemão).

domingo, 3 de maio de 2015

Moondog: o músico viking


À primeira impressão este homem parece um figurante de um filme antigo de Vikings ou de guerreiros medievais. Nada mais errado. Trata-se de Louis Hardin, mais conhecido pelo nome artístico Moondog. Morreu em 1999 com 82 anos e ficou conhecido por viver quase três décadas nas ruas de Nova Iorque (Sixth Avenue - "O Viking da Sexta Avenida"). Ficou cego ao 16 anos e renunciou à educação cristã vestindo-se com roupas e adereços nórdicos (lanças e tudo) que o próprio criava.

Na realidade, Moondog foi das personagens de rua mais fotografadas dos anos 40, 50 e 60 nos EUA.
Pode parecer um louco excêntrico, mas trata-se de um genial e lúcido compositor que desafia convenções ainda hoje. Inventou instrumentos e gravou dezenas de discos com peças musicais que fundiam o jazz com música clássica e ritmos tribais. Apesar de cego, Moondog foi um criador visionário, admirado por artistas ilustres como Stravinsky, Philip Glass, Bob Dylan, Frank Zappa, Leonard Bernstein, Steve Reich, Charlie Parker, entre muitos outros. Um dos seus temas mais conhecidos é o seu tributo a Charlie Parker com esta esplêndida música "Bird's Lament".

Moondog viveu os últimos 25 anos na Alemanha, país que lhe possibilitou a concretização de uma verdadeira carreira artística através do contributo de uma fã. Actualmente está a ser feito um documentário da realizadora Holly Elson sobre a vida incrível de Moondog. Chama-se "The Viking of Sixth Avenue: Moondog and His Music".

Músico imenso, de uma criatividade que ultrapassa barreiras estilísticas, a obra de Moondog merece ser ouvida e apreciada (só no Youtube há mais de cem músicas disponíveis). Eis duas facetas musicais distintas de Moondog: o primeiro vídeo é de uma música de cariz clássico com um toque jazzístico. Pura criatividade em dois minutos de música:


O segundo vídeo representa outra vertente da visão criativa de Moondog: baseado nos sons e no ritmo do quotidiano de Nova Iorque, "Invocation" é um tema longo, fascinante, hipnótico e tribal que antecipa a estética da música minimalista (que surgiria apenas uma década depois):

sábado, 2 de maio de 2015

O legado de uma canção



Ben E. King faleceu e o seu maior legado foi a famosa canção "Stand By Me" composta em 1961. Canção plena de soul obteve imenso sucesso até aos dias de hoje. Consta que existem mais de 400 gravações oficiais com versões e milhares de interpretações de músicos e cantores amadores.
O jornal espanhol El País reuniu 10 icónicas versões, desde John Lennon aos U2, de Eric Clapton aos Imagine Dragons (versão que tem apenas uns meses).
Para ver e ouvir aqui.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Os filmes e as lágrimas


Nenhum cinéfilo tem coração duro ao ponto de nunca ter chorado a ver filmes. Um homem também chora e emociona-se porque é feito de carne e sangue quente. E de sentimentos. Ao longo da minha vida de espectador de cinema já me emocionei muitas vezes a ver determinadas cenas em filmes dramáticos (não necessariamente). Por vezes os olhos ficaram apenas húmidos, outras vezes não me contive e soltei mesmo algumas lágrimas. Afinal de contas, é essa uma das componentes mais fascinantes e poderosas da arte cinematográfica: a de proporcionar emoções.

Eis alguns dos filmes que me causaram (e ainda causam hoje em dia) momentos de emoção mais ou menos pungente. Faltam títulos, mas estes foram os que me vieram mais à memória.

Luzes da Cidade – Um dos finais mais emocionantes de sempre 
O Garoto de Charlot – O reencontro entre o garoto e Charlot é extremamente tocante 
Eduardo Mãos de Tesoura – Sempre que revejo o final emociono-me 
O Padrinho – (na imagem) a cena poderosa do grito mudo de Michael Corleone pela morte da filha na escadaria do teatro e o final com a morte lenta de Corleone (deixou-me KO)
About Schmidt – a cena final em que Jack Nicholson lê a carta a chorar da criança africana deixou-me de coração partido
American Beauty – sequência final 
Sunrise – a reconciliação dos amantes 
As Pontes de Madison County – o amor fugaz na despedida na chuva 
O Ladrão de Bicicletas – basta olhar a cara de angústia do miúdo para sentir comoção 
A Lista de Schindler – a sequência final no cemitério judeu 
Up – um dos inícios de filme mais emocionantes de sempre 
Mary and Max – a cena da tentativa de suicídio é bela e comovente 
Ordet – a cena pungente da ressurreição 
A Vida É Bela – a despedida entre o filho e o pai no campo de concentração 
The Shawshank Redemption – a carta de suicídio do velho quando saiu da prisão 
Million Dollar Baby – os momentos finais 
Cast Away – quando Tom Hanks tenta resgatar a bola no mar (“mr. Wilson”) 
Into The Wild – o final 
Shutter Island – quando Leonardo DiCaprio encontra os filhos mortos no rio 
Melancholia – o final depressivo e apocalíptico 
Umberto D – o final desolador 
A Estrada – a cena final de Anthony Quin na praia 
O Cavalo de Turim – a força emocional da música nas cenas de desespero existencial 
Era uma Vez na América – várias cenas 
Lost in Translation – a despedida final bela e emocionante 
Dead Poets Society – o momento do suicídio do estudante e a despedida final do professor Keating na sala de aula (chorei no cinema) 
The Mist – o final aterrador deixou-me o sangue gelado e olhos húmidos de emoção (acentuado pela música profunda dos Dead Can Dance!)
21 Gramas – basta pensar que é um filme sobre a morte e a perda 
The Truman Show – a revelação final da crua verdade 
O Pianista – a cena do pianista a tocar para o militar nazi 
(...) 

terça-feira, 28 de abril de 2015

As motas no cinema

Quem gosta de motas e cinema vai deliciar-se com este vídeo: o Canal francês Arte pegou na iconografia das motas no cinema e realizou uma soberba montagem de 14 minutos com as melhores cenas que o cinema nos revelou. São dezenas de exemplos que comprovam que a mota teve um papel determinante em muitos filmes (num ou noutro modo) de todos os géneros.
No final desta magnífica montagem constam as 5 melhores cenas com motas e eu não podia concordar mais com as escolhas. Quem souber francês retirará maior prazer no visionamento (porque a narração é nesta língua).
PS - Agora gostava de ver um ensaio audiovisual sobre a relação entre o cinema e a bicicleta (tema que também tem muito por onde explorar). 

domingo, 26 de abril de 2015

Novo Joker

É a imagem que mais tem dado que falar no meio cinematográfico dos últimos dias: Jared Leto transformado no novo Joker no filme "Suicide Squad" do realizador David Ayer (autor do interessante "Fury").
O filme só irá estrear em 2016 mas esta imagem já deixa antever uma nova incursão visual no clássico vilão de banda desenhada outrora interpretado por Jack Nicholson ou pelo malogrado Heth Ledger: sem pinturas brancas na cara nem o sorriso vermelho no rosto, cabelo verde, ausência de sobrancelhas, dentes metálicos e muitas tatuagens. Uma coisa este Joker deve manter igual: a gargalhada histriónica e o humor macabro.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

John Zorn de regresso



John Zorn  é um dos músicos mais importantes dos últimos 20 ou 30 anos. Com uma discografia imensa (edita uma média de 5/6 discos por ano), Zorn é um saxofonista visionário e vanguardista que gosta do risco e da inovação. Criou projectos de grande inovação estética como Naked City, Masada, Painkiller ou Electric Masada, onde misturou música de tradição judaica com jazz, metal, dub, electrónica, improvisação ou noise rock. Tem um vasto currículo de colaborações com dezenas dos mais influentes músicos de todos os quadrantes, sobretudo do panorama avantgarde norte-americano e japonês.

Aos 61 anos John Zorn continua com uma vitalidade e energia impressionantes. O seu último disco, intitulado "Simulacrum", comprova essa energia transbordante: neste disco Zorn não toca saxofone, é apenas compositor de uma música que extravasa fronteiras estéticas e desafia o ouvinte a cada segundo. Por isso não é música para todos, naquele sentido em que só apreciarão quem gosta de receber estímulos sonoros imprevisíveis e fora das convenções musicais ortodoxas. Neste novo disco Zorn reuniu um trio de instrumentistas improvável e de grande nível interpretativo: 

- John Medeski no órgão
- Matt Hollenberg na guitarra eléctrica
- Kenny Grohowsky na bateria

É um power-trio que conjuga uma sublime capacidade de execução ao serviço da criatividade musical, realizando uma fusão estimulante de jazz, rock progressivo, improvisação e metal. Não é propriamente uma linguagem inovadora (o próprio Zorn já tivera experiêncais anteriores do género), mas não deixa de ser uma música imensamente rica e desafiadora.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Al Pacino assume o vício


Sabemos que o consumo de drogas e de álcool proliferam no meio artístico. O que é raro é vir a lume uma figura pública do espectáculo assumir o consumo de álcool como algo importante na sua vida. Foi o que aconteceu com o actor Al Pacino: numa entrevista ao jornal espanhol La Vanguardia, não teve problemas em assumir que foi consumidor de whisky toda a vida, ao ponto de dizer que foi tão importante como ter interpretado Michael Corleone no filme 'O Padrinho' ou de ter subido ao palco para levar à cena Shakespeare. 

La Vanguardia: A sua interpretação de 'O Padrinho' tornou-o famoso. E que papel tiveram Shakespeare e o álcool na sua carreira? 

Al Pacino: Bom, essas três coisas tiveram – e têm ainda – muita influência na minha vida. As três marcaram a minha existência e foram determinantes, cada uma à sua maneira, para a minha carreira. Posso dizer sem me enganar que as três – Michael Corleone em O Padrinho, Shakespeare e o whisky – tiveram grande responsabilidade no que sou agora. E sou sincero em dizer que fui feliz com as três coisas.